De Inajá para a aprovação em 1º lugar: a trajetória de fé e superação de Luiz Henrique na Farmácia

Aos 23 anos, Luiz Henrique Vitor carrega no currículo mais do que uma formação acadêmica. Natural de Inajá, no interior do Paraná, ele traz na bagagem a força de uma família simples, o trabalho desde cedo e uma fé que, segundo ele, sempre guiou suas decisões. Recém-formado em Farmácia pela modalidade EAD da UniFatecie, Luiz acaba de conquistar o primeiro lugar em um concurso público para farmacêutico — feito que o levou, inclusive, a solicitar a colação de grau antecipada para assumir o cargo.

A história até aqui, no entanto, foi construída passo a passo, entre desafios financeiros, jornadas duplas de trabalho e até o preconceito contra o Ensino à Distância.

 

Raízes simples, sonhos grandes

Filho de uma mãe aposentada e de um pai motorista — ambos servidores públicos — Luiz cresceu em uma família trabalhadora. Além dos empregos formais, os pais mantêm uma lanchonete e vendem caldo de cana aos fins de semana. “Sempre trabalhamos muito. Não somos de posses, mas nunca nos faltou o essencial”, conta.

Morando com os pais em casa alugada, mas com estabilidade conquistada com esforço — carro na garagem, uma motocicleta para o dia a dia e todos trabalhando — ele aprendeu desde cedo o valor da responsabilidade. Antes mesmo da faculdade, já estava inserido no comércio da família.

O interesse pela área da saúde surgiu ainda no Ensino Médio, quando fez um curso pago de atendente na área. O desejo de cursar Farmácia já existia, mas a realidade falava mais alto. Em uma cidade com apenas duas farmácias — ambas administradas por famílias — as oportunidades eram quase inexistentes.

Após concluir o Ensino Médio em 2019, tentou ingressar na Graduação. Conseguiu 50% de bolsa pelo Prouni para Enfermagem, mas, mesmo assim, a mensalidade ainda era inviável. Em 2020, com a pandemia, adiou o sonho e dedicou-se integralmente ao comércio da família.

 

Fé, portas abertas e o primeiro passo na farmácia

Em 2021, determinado a conquistar um emprego formal, Luiz fez o que sempre fez nos momentos decisivos: orou. “Antes de grandes decisões, eu oro bastante. Peço discernimento. E Deus sempre preparou algo para mim”, afirma.

Conseguiu uma vaga como secretário e auxiliar administrativo na Colônia de Pescadores da cidade. Pouco tempo depois, durante o lockdown, surgiu a oportunidade de fazer entregas para uma farmácia local — ele tinha uma motocicleta e era a pessoa certa na hora certa.

O que começou como um trabalho temporário virou porta de entrada para o setor onde ele realmente queria estar. Em setembro de 2021, após pedir desligamento da Colônia em meio a um ambiente de estresse e instabilidade, enviou uma mensagem à proprietária da farmácia colocando-se à disposição. No dia seguinte, recebeu o convite para começar.

“Entrei achando que seria fácil. E não foi. Foi um choque”, relembra. Medicamentos de referência, similares, genéricos, perfumaria, atendimento, localização de produtos — tudo era novo. Mas, em vez de recuar, ele se encontrou ali.

 

O início na UniFatecie e o enfrentamento do preconceito

Foi nesse período que surgiu a oportunidade de cursar Farmácia EAD na UniFatecie. Inicialmente, o valor da mensalidade pesou no orçamento. Mas na Black Friday daquele ano, a mensalidade caiu para R$ 149,90. Luiz fez a matrícula, comprou um notebook e decidiu começar.

O primeiro ano não foi simples. Além da adaptação ao Ensino à Distância, enfrentou o preconceito.
“Quando a gente falava que fazia Farmácia EAD, tinha gente que tirava sarro. Diziam que a gente ia aplicar injeção em maçã”, conta.

Apesar dos comentários, ele seguiu firme. Destaca as adaptações práticas realizadas ao longo do curso, como atividades de microbiologia e análises experimentais, que contribuíram para o aprendizado. Mas sempre reforça: “Quem faz a graduação é o aluno. Seja EAD ou presencial.”

 

Da sala virtual ao estágio transformador

No segundo ano, já trabalhando meio período na farmácia, surgiu um processo seletivo para estágio na área no município. Luiz foi o único inscrito e assumiu a vaga em maio de 2023.

Foram quase dois anos de estágio que ele define como divisor de águas. Sob supervisão da farmacêutica Isabela, viveu a prática da assistência farmacêutica: dispensação de medicamentos do Hiperdia, insulinas, fármacos refrigerados, componentes especializados (CEAF) e atendimento direto à população.

“O primeiro trabalho que ela me deu foi explicar a diferença entre bromoprida, metoclopramida, Vonal e Dramin. Eu fiquei entusiasmado estudando aquilo”, lembra.

Mais do que conhecimento técnico, recebeu lições para a vida:
“É melhor você perguntar na hora que você não sabe do que ficar sem conhecimento o resto da vida.”

 

Aprovação em 1º lugar e colação antecipada

Determinado a crescer profissionalmente, Luiz passou a incluir simulados de concurso na rotina de estudos. “Sempre tem uma coisa que você não sabe. Aí você pesquisa. É uma interação medicamentosa, uma diluição, uma conduta. Você precisa buscar além da apostila.”

O esforço deu resultado: aprovado em primeiro lugar no concurso público para farmacêutico do município de Santo Inácio, precisou solicitar a colação de grau antecipada para assumir o cargo.

A conquista representa mais do que estabilidade profissional. É a realização de um sonho que começou ainda no ensino médio, enfrentou limitações financeiras, uma pandemia e o preconceito contra o EAD.

 

Um farmacêutico que quer ser referência

Hoje, já formado, Luiz fala com convicção sobre o tipo de profissional que deseja ser.
“Quero ser um farmacêutico que presta assistência de verdade. Que é referência para os pacientes. Que, quando não sabe, busca saber. A gente não pode perder a humildade.”

Para ele, estudar à distância exige disciplina e protagonismo. Seu conselho aos novos alunos é direto: “Não fique só no que a faculdade entrega. Busque mais. Vá além da apostila. Porque na prática vão te perguntar — e você precisa saber.”

Luiz Henrique é a prova de que o ensino à distância, quando aliado à dedicação, prática e perseverança, transforma realidades. De Inajá para o primeiro lugar em um concurso público, sua trajetória mostra que sonhos não têm CEP — mas exigem trabalho, fé e coragem para seguir, mesmo quando o caminho parece difícil.

E para ele, essa é só a primeira de muitas conquistas que ainda virão.